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Voo Atrasado Configura Dano Moral?

Voo atrasado é uma das situações mais frustrantes que um passageiro pode enfrentar. No entanto, quando se trata de buscar uma indenização por danos morais, a resposta não é tão simples. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recentemente reafirmou que o atraso de voo, por si só, não gera automaticamente direito à indenização por danos morais. Esta decisão tem profundas implicações para os passageiros e as companhias aéreas. Neste artigo, exploramos o entendimento do STJ, os requisitos para comprovar o dano moral e as consequências para os consumidores e o setor de transporte aéreo.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em uma decisão recente da 4ª Turma, consolidou o entendimento de que o atraso de voo não gera automaticamente direito à indenização por danos morais. Para que haja tal indenização, é necessário comprovar o “dano extrapatrimonial”, popularmente conhecido como dano moral.

No caso julgado, um casal que teve seu voo atrasado pediu indenização por danos morais. No entanto, eles não conseguiram demonstrar que o atraso causou um sofrimento que ultrapassasse os limites do aborrecimento cotidiano. O STJ manteve a decisão das instâncias inferiores, que negaram a indenização, já que a companhia aérea havia reacomodado os passageiros em outro voo dentro de um período razoável e oferecido reembolso administrativo pelos bilhetes não utilizados.

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As companhias aéreas são obrigadas a cumprir uma série de deveres regulatórios, incluindo a reacomodação dos passageiros, o reembolso das passagens e a assistência material adequada durante o período de espera. Essas obrigações, previstas na regulamentação vigente, visam minimizar os transtornos causados por atrasos ou cancelamentos de voos, garantindo a proteção efetiva dos direitos dos passageiros.

A reacomodação dos passageiros é uma das principais medidas que as companhias aéreas devem tomar em caso de atrasos ou cancelamentos de voos. Quando um voo é cancelado ou sofre um atraso significativo, a companhia deve oferecer aos passageiros a opção de embarcar em outro voo para o mesmo destino, sem custo adicional. Esta reacomodação deve ser feita no menor tempo possível, visando minimizar o impacto na viagem dos passageiros. Em situações onde a reacomodação não é viável ou aceitável para o passageiro, a companhia aérea deve oferecer o reembolso integral do valor da passagem não utilizada, garantindo que o passageiro não sofra prejuízo financeiro devido à interrupção ou atraso do serviço.

Além da reacomodação e do reembolso, as companhias aéreas também são obrigadas a fornecer assistência material adequada durante o período de espera. Esta assistência inclui fornecer alimentação e hospedagem, quando necessário, para os passageiros que precisam aguardar por longos períodos. Por exemplo, se um voo for cancelado e o próximo voo disponível for somente no dia seguinte, a companhia aérea deve garantir que os passageiros tenham acesso a alimentação e acomodação adequada durante a espera. Em muitos casos, as companhias aéreas também oferecem transporte entre o aeroporto e o local de hospedagem, garantindo que os passageiros possam se deslocar de maneira confortável e segura.

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A Constituição de 1988, em seu artigo 5º, incisos V e X, assegura a reparação por danos morais. Complementarmente, o Código Civil de 2002 e o Código de Defesa do Consumidor (CDC) tratam da responsabilidade civil e das condições para a reparação de danos causados por fornecedores de produtos e serviços. Contudo, o artigo 944 do Código Civil destaca que a indenização deve ser proporcional à extensão do dano, ressaltando a importância de uma análise criteriosa para a configuração do dano moral.

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Para que um passageiro consiga indenização por dano moral devido a um atraso de voo, é imprescindível que ele demonstre que o atraso gerou um prejuízo moral significativo. Isso pode incluir a perda de um compromisso importante, danos à saúde emocional, ou outros impactos significativos na vida do passageiro.

A decisão do STJ tem implicações importantes para o setor de transporte aéreo e para os consumidores. As companhias aéreas devem continuar cumprindo suas obrigações regulatórias para minimizar os transtornos causados por atrasos ou cancelamentos de voos. No entanto, a exigência de comprovação do dano moral serve como um filtro necessário para garantir que apenas casos realmente lesivos sejam compensados, evitando indenizações excessivas ou descabidas.

A Justiça entende que as indenizações devem ser reservadas para situações em que o dano moral esteja devidamente comprovado. A banalização de pedidos de indenização pode levar a um aumento desproporcional de processos, sobrecarregando o Judiciário e criando um ambiente de incerteza para as empresas do setor.

O posicionamento do STJ reforça a necessidade de uma análise criteriosa das demandas relacionadas ao transporte aéreo, aplicando a legislação específica e considerando as particularidades de cada caso. Essa abordagem é essencial para manter o equilíbrio entre a proteção dos direitos dos consumidores e a viabilidade operacional das companhias aéreas, promovendo um ambiente jurídico justo e razoável para todas as partes envolvidas.

O Código Brasileiro de Aeronáutica, em seu artigo 251-A, estabelece que a compensação por dano não patrimonial decorrente de falhas no transporte aéreo está condicionada à prova efetiva da ocorrência do dano. Portanto, é fundamental que os passageiros estejam cientes dessa necessidade ao buscarem indenização por danos morais.

Embora a decisão do STJ possa parecer restritiva, ela não diminui a importância dos direitos dos consumidores. As companhias aéreas continuam obrigadas a fornecer assistência material adequada e a reacomodar os passageiros em caso de atrasos ou cancelamentos. O que muda é a necessidade de comprovação de danos morais significativos para obter indenização.

Voo atrasado e direitos: o que fazer e como provar [guia] | Blog Liberfly

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