Marcelo e Costa. Encontro nas Caraíbas com a coabitação em fase "intensa" – Diário de Notícias

Marcelo e Costa estão desde esta sexta-feira à noite juntos na República Dominicana. Amanhã vão ao Luxemburgo ver a seleção. Está tudo “muito bem”, diz o Presidente.
Presidente da República Dominicana, Luis Abinader, recebendo o PR português em Santo Domingo
© EPA/ORLANDO BARRIA
Marcelo chegou na quarta-feira. António Costa esta sexta. Presidente da República e primeiro-ministro estarão hoje e amanhã na República Dominicana, o segundo maior país das Caraíbas (depois de Cuba), para participarem na 28ª edição da cimeira ibero-americana.
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Esta sexta-feira, às 19h00 locais (23h00 em Lisboa), os dois participaram na cerimónia inaugural da cimeira, cujo tema é “Juntos por uma Ibero-América justa e sustentável”. Findo o evento, Costa e Marcelo cruzam de novo o Atlântico em direção ao Luxemburgo, onde irão assistir domingo a mais um jogo da seleção portuguesa de futebol (apuramento para o Europeu de 2024, na Alemanha). Um fim de semana juntos quando a coabitação entre ambos regista dos mais elevados níveis de atrito desde que começou, em 2016.
Esta sexta-feira, em Santo Domingo, capital do país anfitrião da cimeira, Marcelo multiplicou-se em declarações sobre o atual ponto em que se encontra a sua relação com o chefe do Governo. Por um lado, para desdramatizar, salientando que os dois já se conhecem há umas boas quatro décadas (quando Costa foi seu aluno em Direito); e por outro para explicar que se sente investido na função de principal força de “contrabalanço” face à força da maioria PS.
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Quanto à velha relação entre os dois, explicou: “Nós somos muito previsíveis. Eu conheço-o desde os 19 anos de idade, ele não muda e eu não mudo. Aos 19 anos de idade a pessoa está mais ou menos formada, e eu na altura tinha para aí 30 e poucos anos, também já estava formado.
“[A coabitação] de vez em quando tem assim momentos mais intensos, outros menos intensos, mas isso é a riqueza da democracia. Já pensaram bem a monotonia que seria se o Presidente repetisse aquilo que o primeiro-ministro quer que ele diga, ou se o primeiro-ministro estivesse sempre de acordo com o Presidente? Era uma monotonia.”
A sua convicção é portanto simples: “Até ao fim das nossas vidas, o que quer dizer em termos de vida política até ao fim deste percurso comum até 2026, nem ele vai mudar nem eu vou mudar.” Em termos globais, acrescentou, a coabitação funciona “muito muito bem”: “De vez em quando tem assim momentos mais intensos, outros menos intensos, mas isso é a riqueza da democracia. Já pensaram bem a monotonia que seria se o Presidente repetisse aquilo que o primeiro-ministro quer que ele diga, ou se o primeiro-ministro estivesse sempre de acordo com o Presidente? Era uma monotonia.” E a seguir explicou a sua teoria do “contrabalanço”.
“Os partidos políticos, os protagonistas políticos em geral acham que é um incómodo em certas circunstâncias o Presidente falar, ou o momento em que fala, ou a forma como fala, ou o estilo que adota e tal. Prefeririam, naturalmente, um Presidente menos interventor. Os portugueses acham que o facto de o Presidente ser interventor é uma forma de garantia em relação à maioria absoluta”, sustentou.
“Sou assim, por uma razão muito simples, porque o Presidente da República tem essa função, e se não cumprir essa função, ninguém mais pode cumpri-la, porque ninguém mais tem a independência do Presidente.”
Acrescentando: “Como é que é contrabalançada [a maioria PS]? No Parlamento, sim, mas no Parlamento há uma maioria muito clara. Qual é o órgão que realmente pode contrabalançar, quando faz sentido intervir? É o Presidente. E essa é a função do Presidente.” Assim, Marcelo garante que continuará tudo na mesma: umas vezes criticará e noutras elogiará. Ou seja, será “um Presidente interventor”: “Sou assim, por uma razão muito simples, porque o Presidente da República tem essa função, e se não cumprir essa função, ninguém mais pode cumpri-la, porque ninguém mais tem a independência do Presidente.”
joao.p.henriques@dn.pt
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