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Crônicas de Mochileiros

Eu só sei falar Hi, Bye!

Já havia passado por algumas situações de muito desconforto desde o primeiro dia que pisei meus pés em Londres. Do avião ao aeroporto, metrô, hospedagem, supermercados, enfim quase tudo era difícil para fazer.

Então qual era o problema? O problema era eu, somente eu!!!

É obvio que a palavra que define essa situação é:  falta de comunicação! Como que um ser humano, pode pensar que em um mundo novo, (ou melhor dizendo: um mundo velho?!),  o mundo do primeiro mundo, cheio de culturas diferentes e diversidade em todas as esquinas, você vai se dar bem, assim… logo de cara!

E ainda… ter a coragem de ir para lá só falando só Português, sem ter intimidade nenhuma com a Rainha da Inglaterra e nem com o próprio vizinho. “Pera ai, quem é meu vizinho”?! É fato! Essa pessoa não vai se dar bem! Não tem jeito! Esquece!!! O problema então é:  só saber falar Hi, Bye!

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Hi, Bye and Thanks

Não sejamos tão maldosos assim… no segundo dia, já sabia falar obrigada ou melhor dizendo: Thanks! O dicionário Inglês-Português, que ganhei do meu irmão Fausto, enquanto eu ainda estava no Brasil, não saia da minha mão.

Andava pelas ruas folheando as folhas daquele dicionário, procurando palavra por palavra e, riscando-as com uma caneta marca texto amarela, na intenção de que, a cada risco que fazia ali, era uma palavra a menos para ser aprendida. Grande ilusão!

Como se isso fosse verdade, como se eu fosse uma máquina de memória para conseguir gravar aquele monte de informação, que meu cérebro estava recebendo tudo ao mesmo instante. Quase que um bombardeio!!!

Desesperadamente, ia traduzindo tudo que via pela frente: eram placas, letreiros de restaurantes, lojas, comércio em geral, eu traduzia tudo! Para andar um quarteirão era um sacrilégio, parava a todo instante. Até aí tudo bem… Vamos lá vai: “Tô” aqui para aprender!

E para falar? Eu era um ser humano quase incomunicável. Falar no início, é quase que impossível: mix de medo, vergonha, timidez e sintomas de ser muito ridículo. Já não bastasse estar no fundo do poço da ignorância verbal (Inglesa), será que teria que comprar uma lousinha e sair escrevendo o que tentava traduzir pelo dicionário? Em pleno século 21! Não, isso não poderia acontecer comigo!

Com o Marlon na sala de aula na Marlvern House School
Com o Marlon na sala de aula na Marlvern House School

A pressão te faz começar soltar ou tentar soltar palavras soltas no ar 

Não sou tão burra assim! Eu vou conseguir formar uma frase inteira. Pego uma palavra aqui outra palavra ali e mais uma para o final da frase e pronto! Bom… vamos lá de novo tentar comprar comida, acredite ou não, ainda estou com fome desde o dia que cheguei aqui!

– Mr. Please (já tô boa!) – Please (mais porque será que falei please de novo) … hummmm…. – Please (outra vez, preciso de conseguir falar outra palavra rápido, antes que ele desista de me ouvir) … – “I food”.

A resposta do senhor aos meus ouvidos:

Ljsdknflarkjifg s! çljgsoifgj sgofgu ? ldkjldgjoigjkflsdj? (traduzindo o que deveria ser) – “How can I help you”? (Como posso te ajudar?)

-Mr. Please, I food! (Opâ, melhorei! Falei mais rápido!)

Entendeu né? Difícil demais! Mas não posso desistir. Se eu for na “vendinha”, e simplesmente, pegar o produto e não tentar falar, não vou aprender. Não desisto, vou tentar falar qualquer coisa! Qualquer coisa que seja bem parecida assim… como o que ele disse para mim.

Ele consegue, porque não irei conseguir. Talvez, se eu tentar falar algumas palavras em Português, com o final terminando em “nation“, tipo: exterminação não seria extermination????!!  Quem sabe tantas outras não são iguais!!!!

Hyde Park in London with friends
Hyde Park in London with friends

Atenção: Artigo registrado na Biblioteca Nacional. Não ao Plágio! Autora: Natália Faleiros

Não ao Plágio
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