A decisão de ir estudar fora do Brasil e a chegada em Londres

O ano era 2007. Estava terminando a faculdade de Odontologia na Universidade Santa Cecília em Santos. Conversa vai, conversa vem, os meus pais decidiram presentear-me com um curso de Inglês por 6 meses no lugar mais almejado pelos estudantes de todo o mundo: Londres. De início, fiquei bastante assustada com a ideia. No mesmo tempo que queria, não queria…

Queria ir pela vontade de viver a aventura, o desconhecido, do mistério que esse novo mundo era para mim… óbvio que o motivo principal seria aprender Inglês, mas não que fosse o meu motivo principal… iria mesmo era pelo novo… pela descoberta que aquilo representava para mim… mas também não queria ir porque amava demais esse Brasil, minha família, meus amigos, costumes e rotina.

Sim… um dia  tive uma rotina! Na verdade, não tinha ideia da importância de falar Inglês no mundo em que vivemos hoje, não tinha nenhuma maturidade para entender isso e, principalmente, não imaginava o que era de verdade conhecer outra cultura, outro mundo, outro país, outras pessoas, outras línguas e costumes que iriam definitivamente modificar a minha vida e, o mais importante: iriam moldar a minha personalidade e atitudes perante a sociedade.

Quando a viagem estava decidida e as documentações e papeladas necessárias para que tudo ocorresse como manda o figurino estavam prontas, era o sinal de que tinha chegado a hora. Foi tudo muito rápido e, quando vi, estava no aeroporto com os meus pais e irmãos, me despedindo…  chorando e assustada.

Dentro do avião:

Entrar naquele avião já era um sufoco pelo próprio avião! O medo inicial era do voo, tinha recente passado por uma situação aterrorizante numa viagem que fiz para Natal, Rio Grande do Norte. Na circunstância desta viagem, a aeronave arremeteu por motivos que não ficamos sabendo, no aeroporto de São José do Rio Preto.  Enfim… a situação já estava toda pronta e eu já estava sentada dentro daquele avião gigante, assustada, indo para um lugar que era bem mais longe do que Santos a Orlândia (cidade que nasci). Quando o avião começou a se movimentar, o meu corpo suava frio, o meu coração estava na boca e, de repente, o meu corpo estava fora do chão! Já não tem mais o que fazer, então, proponho aproveitarmos o que terei a bordo.

E quando o avião pousa?

A mistura de sentimento que invadiu o meu coração foi como uma bomba. Excitação, angustia, alegria, medo, tristeza, liberdade… E a primeira atitude foi:

— e agora? Quero voltar! Estou com medo. Como vou comunicar-me?

— Opa, aqui ninguém fala Português? Tá louco meu… – Que língua é essa? Tem mais línguas além do Inglês? Que isso! Como assim? Quanta gente!

— O que é aquilo?

— Senhor, senhor, por favor ajude-me a encontrar… Opa! Desculpe-me, o senhor não me entende! E agora?

— Fico muda? — Ninguém fala comigo! — Socorro!

— Mãe, mãeee, pai, cadê vocês? Não tem ninguém aqui?

— Mãe, quero ligar-te? Ops, o meu celular não funciona aqui!

— Mãe, como eu lhe ligo!

— Socorroooo levem-me de volta para casa!!!!!

Não posso sentar e chorar. Preciso passar pela “moça” da Imigração mais como, como?

— Hello! Hello! I don´t “spiaki”  “Inglishi”. “Sorriii”. (Olá! Olá! Eu não falo Inglês. Desculpa)

Mrs. Senhora, eu sou aluna de Inglês. Ops… “sorriii”

Mrs., I “amii” “Englishi studenti”. I have money, credit card, house and school. (Sra. Eu sou estudante de Ingles, Eu tenho dinheiro, cartão de credito, casa e escola).

A senhora pode ver a minha documentação. Senhora, desculpa… Ops…

“Sorriiii I dontiiii spiakii Inglishiii”!!!!!!!……  ei, olha… Sou uma menina de família, sou legal, sou estudante. Só vim aqui aprender a falar Inglês…

Senhora…. Mrs.” sorriiiii” ………

Quer situação pior que essa ai em cima! Que coisa humilhante! A história já se inicia super, mega, blaster humilhante. Não conseguir se comunicar em outro país leva-te ao fundo do abismo da ignorância verbal! O sentimento de ser ridicularizada logo de cara dói, mas pode acreditar em mim, vale a pena. Você deve estar pensando que eu não sabia de Inglês! E não sabia mesmo! Existe uma diferença gigante entre conseguir ler/escrever e chegar em Londres e ter que ouvir/entender/falar!

As histórias que já havia escutado para poder entrar em Londres, foram as mais diversas possíveis e na sua maioria, nada agradáveis.  Eu não tinha medo disto, pois estava totalmente documentada e correta. Possuía  o visto de estudante de Inglês, escola paga, dinheiro, 4 semanas de acomodação iniciais já pagas, enfim… tudo estava ok! A Oficial da Imigração, com todo o meu respeito, deve ter-me xingado muito! Ela estava com uma expressão bem brava e antes de bater o carimbo para autorizar a minha entrada no país, deu alguns soquinhos na mesa de raiva… e, aproveitando que estamos falando do carimbo: A oficial da Imigração bateu o carimbo de entrada no meu passaporte com tanta “boa” vontade, que tive quase problema para me registrar no Departamento de Polícia em Londres, mal se via a data de entrada.  

— “Anyway”: entrei! Mas espera aí… E agora?

— E agora? … — Faço o que mesmo?

Atenção: Artigo registrado na Biblioteca Nacional. Não ao Plágio! Autora: Natália Faleiros

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