Quem é que não quer sobrevoar Ushuaia em um helicóptero??? Foi o que a Ana Paula Paganini fez e contou tudo para a gente!

Quem é que não quer sobrevoar Ushuaia em um helicóptero??? Foi o que a Ana Paula Paganini fez e contou tudo para a gente!

Relato e Imagens por Ana Paula Pavanini Navas

Olá, equipe do Mochileiros Pelo Mundo,

Com muita honra recebi o convite de escrever um relato aqui no blog após ter feito um comment numa foto de Ushuaia no Insta. Falei sobre um passeio de helicóptero com pouso num pico nevado, TOP, TOP, TOP… em todos os sentidos, no TOPO do FIM DO MUNDO! Começo explicando porque resolvi conhecer USHUAIA, TIERRA DEL FUEGO, FIM DO MUNDO, whatever…

Quando eu tinha uns 13 anos (oooopssss… já faz uns 20 anos, hehe…), vi um programa na Discovery que se chamava USHUAIA. Ainda não era comum TV por assinatura, mas meu irmão era louco pra ter, então meus pais pagaram com sacrifício para ter DirecTV, naquela época um luxo, e então pude conhecer alguns lugares pela TV, (a internet era joia rara, então!) Eu sempre dizia que um dia, visitaria aquele lugar lindo que mostrava na TV. Enfim, em 2013, liguei para uma amiga e disse: Thaís, quer ir comigo visitar o fim do mundo? Ela me perguntou onde era, e eu disse: USHUAIA, quase no fim do mundo. Perto do polo sul. A Thaís é meio doida (não mais que eu, risos), do tipo topo sem saber a pergunta, então, partimos primeiro para El Calafate, e depois a Ushuaia. Antes, olhei algumas dicas de sobrevoo pela cidade, pois eu fazia questão de ter a mesma visão panorâmica que via pela TV 20 polegadas. Vi uma moça que aconselhava a fazer o voo com uma aviãozinho tipo Teco Teco, pois custava 90 dólares, contra mais de 300 dólares do passeio de helicóptero. Chegando em Ushuaia, ficamos na Pousada Rosa de los Vientos, do senhor Pablo Tibaudin, uns 700 metros “apenas”(depois explico o apenas) da orla. Ou seja, bem localizada. Ao descer a ‘pirambeira’ até a orla para procurar algo para comer (Já foi pra Ouro Preto? então, é beeeeeemmm pior, as panturrilhas sofrem), paramos numa agência apenas para perguntar preço e horário dos passeios de avião. Ao entrar, a moça nos ofereceu o passeio de helicóptero, que eu recusei de imediato, pois custava 370 dólares, contra 120 do passeio de avião. A Thaís, no entanto, queria por toda lei fazer o de helicóptero só porque nunca tinha andado de helicóptero, sendo eu disse a ela que era só pagar cinquentão pra dar uma volta de 3 minutos na feira de Londrina/PR (moramos nesta região), e ela matava a vontade dela, kkkkkk… e que era pra gente não gastar a grana e fazer o passeio de avião. Enquanto negociávamos, uma BAITA COVARDIA PUBLICITÁRIA da agência me levou a LOUCURA de pagar os 370 dólares pelo passeio de helicóptero.

Relato de viagem de Ana Paula Pavanini Navas
Relato de viagem de Ana Paula Pavanini Navas. Na imagem foi o momento do pouso no alto do pico nevado!
A agência tinha umas três TVs de LED, grandes, exibindo seus passeios, e de repente, vejo um helicóptero pousar num pico nevado e as pessoas descerem do mesmo, fotografando. Na hora eu parei e perguntei: “O helicóptero faz isto aí?”A agente respondeu: “sim, o voo de 30 minutos pousa, você desce e depois retorna.” Na hora eu disse por mim e pela Thaís: “Ok, vamos fazer o passeio de helicóptero”. A Thaís disse: “mas Ana, eu nem tenho dinheiro aqui, a gente não ia só ver o preço?”Eu: “eu pago depois você me acerta. Moça, que horas é o próximo?”. “Daqui meia hora”. Assim, sem realmente planejar, na surpresa, fizemos o passeio. Um moço, Martin, nos buscou na pousada, e nos levou no aeroporto antigo, agora, salvo engano, utilizado apenas para turismo e fins militares. De lá, decolamos com o helicóptero, e de cima, pude presenciar a maravilhosa paisagem que há anos tinha visto pela TV! MAGNIFIQUE!!! Era uma cidade no fim do mundo, mais austral do mundo, se erguendo luxuosamente e galgando bem o comecinho da Cordilheira dos Andes. Era verão, mês de fevereiro, fazia tempo bom, errhhh… digo, uns 8 graus (ok, pra mim é congelante, mas para lá, no verão, é tempo bom). O fato de falar um espanhol arrastado ajudou na comunicação com o piloto, então, perguntei sobre várias coisas que via do alto. A vantagem é que, excepcionalmente, apesar de ser verão, tinha nevado dois dias antes, e por isto ainda tinha neve nos picos, e chegou o momento nirvana do passeio: O pouso no pico nevado!!! Juro, me senti num filme, como que resgatando aquelas pessoas que ficam presas na neve, porque o acesso, o teleférico ou seja o que quebrou. Algo como Sylvester Stallone ( não sei como escreve, hehehe) naquele filme que ele vai resgatar uma alpinista (que no filme infelizmente morre). Foi o que me veio à cabeça. Emoção sem igual. Depois, novamente decolamos de cima do morro, e continuamos o sobrevoo pelo fim do mundo, podendo ver lagos, partes de florestas destruídas por castores, o canal Beagle, ilhotas, transatlânticos com destino à Antártida, entre outros. Acredito ter sido uma das coisas mais incríveis que já vi e já fiz, com certeza, pela beleza sem igual do lugar, do antigo sonho de adolescente, do fato de não ter sido realmente planejado, da contribuição da mãe  natureza mandando neve em pleno verão, etc. Muitas outras coisas foram fabulosas nesta viagem. Visita aos pinguins em Ilha, passeio pelo Canal Beagle de Catamaram, Parque Nacional. Mas sem dúvida, nunca estive tão agradecida a Deus por meus olhos em poder presenciar algo tão excepcional. No dia seguinte ao passeio, conhecemos um fotógrafo francês, Bertrand, com o qual comentei do meu sonho juvenil, e ele me disse que o programa Ushuaia era feito por um jornalista francês que veio visitar a cidade e se apaixonou. Não vou lembrar o nome do jornalista francês, embora Bertrand tenha me dito, mas com certeza a paixão dele por Ushuaia me contagiou, e a muitas outras pessoas. Hasta la vista e muito obrigada pelo convite pelo Insta.

Ana Paula Pavanini Navas

PS: “apenas” – pirambeira, gíria para rua que tem uma subida muuuuito íngreme. Pior que Ouro Preto. Ou seja, 700 m é perto descendo, subindo… vixe… para se ter uma ideia, há degraus nas calçadas, de tão íngreme. E a equipe de mochileiros não me deixa mentir, né?

PS2: ficamos me pousada, e não em hostel, pois os hostels estavam, na época, mais caro que pousadas. A pousada tinha café da manhã, e um gato amarelo lindo que ficava na recepção. Quando algum hóspede não gostava, os donos o guardavam.

PS3: Castor, o bichinho, ou melhor, o bichão. Eu achava que castor e esquilo eram a mesma coisa. Bom, esquilo tem uns 20 cm, o castor, mais de um metro. Ushuaia não era bem colonizada e lá moravam principalmente familiares dos prisioneiros, pois era algo como a Alcatraz da Argentina. Para aumentar a população, segundo um dos guias, o governo importou, salvo engano, 40 casais de castores do Canadá, para começar produção de pele. Mas por algum motivo não deu certo e soltaram os esquilos grandões na natureza. Hoje são milhares e destroem florestas, verdadeiros engenheiros fazendo diques e represas, e construindo suas casas. A estação de esqui mais famosa se chama Cerro Castor.

Relato de Viagem por Ana Paula Pavanini Navas, que foi gentilmente cedido pela autora para publicarmos  no Blog do Mochileiros pelo Mundo.
Autoria e Imagens: Ana Paula Pavanini Navas.