Relato de Mary Rocha que conta para a gente o que é o Tramping, na Nova Zelândia

Relato de Mary Rocha que conta para a gente o que é o Tramping, na Nova Zelândia
Relato e Imagens por Mary Rocha
Trilha na Nova Zelândia

Fazer trilha na Nova Zelândia é uma das melhores formas de se deparar com paisagens de tirar o fôlego e cenários dramáticos. Além disso, é uma forma econômica, já que a única coisa que você precisa é disposição, roupa adequada, lanche e água. Aliás, esta atividade é muito comum entre neozelandeses, que o chamam de  “Tramping”. É muito comum você ver seniores de 70 anos ou famílias carregando seus pequenos filhotes nas mochilas subindo trilhas de 2000 metros de altura.

Bom, seguindo este espírito, resolvemos explorar a região de Arthur Pass, um parque nacional localizado cerca de 140 km de Christchurch, principal cidade e portal de entrada da Ilha sul da Nova Zelândia. Arthurs Pass é uma vila que fica nos Alpes, com cerca de 2 acomodações e dois restaurantes. E deu! O que é tão popular e mecca dos amantes do “tramping” são as dezenas de opções de trilhas na região que variam de 2 horas a 4 dias.

Relato de Viagem por Mary Rocha
Relato de Viagem por Mary Rocha

Chegamos pela manhã, deixamos as mochilas no backpacker (albergue) e fomos ao Departamento de Conservação para verificação do trajeto que íamos fazer e saber da previsão do tempo na montanha. Embora o sol estivesse tinindo, fomos informados que o vento estava bem forte e que era melhor tomar cuidado na ascensão da trilha. O maridão carregado de comida, água, roupas especiais para as condições do tempo e eu fomos em direção ao Avalanche Peak. Eu, como uma caminhante confiante, acreditei que seria mais uma de muitas trips que havia feito. Nada que precisasse se preocupar.

Iniciamos nossa subida, cheia de pedras. Entramos na floresta e assim que chegamos a cerca de 900 metros de altitute, ao desembocar já tivemos o cenário da cachoeira do outro lado e das montanhas vizinhas. Sol azul e somente se ouvia o barulho do vento nas árvores e os pássaros. Encontramos outros alemães subindo. Trocamos poucas palavras, saboreamos os deliciosos lanches preparados do maridão (que também é alemão) e era hora de continuar. Tudo linnnnnndo!

Esse momento de serenidade durou poucos minutos quando avistei o topo da Avalanche Peak e vi as nuvens se movimentarem. Meus olhos se arregalaram e um frio na espinha percorreu o meu corpo. Eu sou a pessoa mais medrosa com relação a altura. Embora tivesse tentando vencer esse medo saltando de paraquedas, voando de asa delta, descendo de rapel em cachoeira, nos meus 37 de anos de idade, o sentimento ainda não foi controlado.

Relato de Viagem por Mary Rocha
Relato de Viagem por Mary Rocha

“Eu havia chego até aquele ponto, teria que continuar” – Relutei comigo mesma. Ao continuar a ascensão, a montanha tornava-se mais estreita e a única coisa que via era aqueles grandes penhascos de gelo dos dois lados dos meus olhos. Estávamos na crista da montanha. De repente o sol tinindo desapareceu e avistei as nuvens se movimentando em nossa direção desenfreadamente. O vento tornou-se tão forte, que num momento me agarrei no primeiro rochoso que encontrei. Parecia uma mulher aranha. Estava apavorada. Entendi o porquê dos avisos dos staffs em relação a fortes correntezas de vento. Fiquei cerca de 5 minutos agarrada na pedra. Até que resolvi seguir os conselhos do Marlon para continuar.

Depois de muita luta interna, paradas, escaladas, chegamos no topo. 1833 metros de altitute. Tive vontade de chorar ao chegar ali. A vista de 360 graus lhe dava cenário de geleiras glaciares de um lado e do outro a Montanha Rolleston e suas companheiras de forma majestosa. Espetáculo da natureza. Sentados no topo contemplando a beleza, fomos visitados pelo Kea – uma espécie de papagaio que vive nos Alpes, encontrado somente na Nova Zelândia.

Na volta fomos brindados por uma espetacular cachoeira e um lindo arco íris. Naquele momento cheguei a conclusão de que às vezes precisamos ir um pouquinho além dos nossos limites para experienciar o maravilhoso.

Portanto, se você tem interesse em explorar um pouquinho além do que a Nova Zelândia pode oferecer, não deixe de fazer uma trilha – ou melhor, tramping!

Relato de Viagem por Mary Rocha, que foi gentilmente cedido pela autora para publicarmos  no Blog do Mochileiros pelo Mundo.
Autoria e Imagens: Mary Rocha.
Contatos: 
Mary Rocha – Fundadora da NZEGA (Agência de intercâmbio e turismo sediada na Nova Zelândia).
Site:
Relato de Viagem por Mary Rocha
Relato de Viagem por Mary Rocha